Empresários, dirigentes industriais e especialistas participaram, na terça-feira (4), de um encontro promovido pelo Centro das Indústrias do Estado do Piauí (CIEPI), no Hub de Inovação do Espaço S, no Teresina Shopping. O tema da reunião foi “Fim da jornada 6×1: impactos, riscos e estratégias para a indústria”, reunindo associados para discutir os possíveis reflexos da proposta de redução da jornada de trabalho para o setor produtivo.
A palestra foi ministrada pelo advogado trabalhista Mário Roberto, que apresentou aspectos jurídicos e econômicos relacionados à proposta atualmente debatida no Congresso Nacional. Segundo ele, uma eventual redução da jornada semanal de 44 para 40 horas poderá exigir planejamento por parte das empresas para minimizar impactos sobre custos e produtividade.
Durante a apresentação, o advogado afirmou que um dos principais desafios será o aumento do custo operacional. Segundo os cálculos apresentados na palestra, a redução da jornada poderá representar um acréscimo aproximado de 10% no custo-hora, caso não haja aumento proporcional da produtividade.
“O principal risco que as empresas vão ter é um aumento de custo. Para minimizar esse impacto, elas podem utilizar ferramentas que a própria CLT já prevê, como a escala 12×36, o contrato intermitente e investimentos em tecnologia para aumentar a produtividade”, explicou.

Outro ponto destacado foi o possível aumento dos custos com horas extras, uma vez que, com uma jornada semanal menor, elas passariam a ser contabilizadas mais cedo. Segundo o palestrante, investimentos em automação, reorganização das escalas e melhoria dos processos produtivos são alternativas para reduzir os impactos da mudança.
Durante o encontro, também foram apresentadas ferramentas já previstas na legislação trabalhista, como banco de horas, teletrabalho, turnos de revezamento e contratos intermitentes, além de estratégias de reorganização das escalas e preparação para futuras negociações coletivas.
O presidente do CIEPI, Marcelo Medeiros, destacou que o objetivo da iniciativa é antecipar discussões relevantes para o setor industrial e preparar os associados para possíveis mudanças na legislação.
“Estamos trazendo essa palestra para que os nossos associados possam entender os impactos dessas possíveis mudanças e estejam preparados para adequar suas empresas, caso elas sejam aprovadas.”

O diretor da FIEPI, Islano Marques, ressaltou que o tema desperta preocupação entre os empresários e reforçou a importância de um debate técnico.
“É um tema que realmente merece esclarecimentos. Trouxemos um profissional com ampla experiência para apresentar, com clareza, os impactos que podem atingir a produção industrial, a folha de pagamento e a organização das empresas.”
Representando o setor empresarial, Sylvio Romano, do Bioanálise Sabin, defendeu que qualquer alteração na jornada de trabalho seja construída com planejamento e diálogo entre trabalhadores, empresários e governo.
Segundo ele, a realidade econômica e produtiva varia entre as regiões brasileiras e uma mudança dessa dimensão precisa considerar as particularidades de cada setor para evitar impactos negativos.

Também presente ao encontro, o empresário Marcelino Lopes, do setor de bares e restaurantes e associado do CIEPI, afirmou que a busca por melhor qualidade de vida é legítima, mas destacou que eventuais mudanças precisam considerar seus reflexos sobre produtividade, custos e geração de empregos.
O encontro integrou a programação de reuniões do CIEPI voltadas ao fortalecimento da indústria piauiense por meio da disseminação de informações técnicas, do debate qualificado e da preparação das empresas para possíveis mudanças no ambiente regulatório.

