A indústria nacional começou o segundo semestre de 2025 com um cenário desanimador. De acordo com o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) – Resultados Setoriais, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 21 dos 29 setores analisados registraram queda na confiança em julho. O pessimismo atinge empresas de todos os portes e regiões, com exceção do Nordeste, que foi a única região a manter-se acima dos 50 pontos no indicador.
Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, explica que a falta de confiança dos empresários persiste desde o início do ano e se agravou na transição de junho para julho. Ele aponta como principal causa a alta da taxa Selic. Além disso, os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros ainda não foram totalmente absorvidos pela pesquisa, mas devem impactar de forma mais expressiva nos próximos levantamentos.
A queda mais acentuada na confiança foi registrada na região Norte, cujo índice caiu de 53 para 50 pontos, atingindo o limite da neutralidade. Já o Sul, Sudeste e Centro-Oeste operam abaixo do nível de confiança. Entre os setores que passaram a demonstrar pessimismo estão os de perfumaria, limpeza e higiene pessoal, produtos diversos e borracha. Apenas o setor de manutenção e reparação apresentou melhora.
O recuo também atingiu empresas de todos os portes: pequenas (-0,7 ponto), médias (-1,3 ponto) e grandes (-1,1 ponto). A pesquisa foi realizada entre os dias 1º e 10 de julho com aproximadamente 1.800 empresas industriais em todo o país. O ICEI varia de 0 a 100 pontos e valores abaixo de 50 indicam falta de confiança por parte dos empresários.