O tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros ainda causa apreensão, mesmo após o presidente Donald Trump anunciar exceções que aliviam parte das exportações. Inicialmente, estimava-se que o impacto no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro poderia chegar a 0,3 ponto percentual, caso todas as tarifas de 50% fossem aplicadas. Com as novas isenções, a projeção caiu para algo entre 0,13 e 0,2 ponto, segundo estimativas da XP Investimentos, Banco Daycoval e Fiesp. Ainda assim, a sobretaxa, que entra em vigor no próximo dia 6, deve atingir de forma desigual diferentes segmentos da economia.
Mais de 700 produtos foram poupados, incluindo aço, suco de laranja, peças de aeronaves e castanhas, que ficarão com alíquota de 10%. Cerca de 40% das exportações brasileiras para os EUA foram beneficiadas. Porém, itens importantes como café, carne, manga, açaí e pescados seguem sob risco. A expectativa é que parte desses produtos possa ser redirecionada ao mercado interno, ajudando a conter a inflação, ao aumentar a oferta e reduzir os preços. Ainda assim, há temor de paralisação de exportações em algumas regiões do país.
O impacto mais grave pode ocorrer na indústria, que, segundo especialistas, terá maior dificuldade de encontrar novos mercados. “O agro pode se ajustar e buscar compradores como a China. Já a indústria tem um leque mais limitado e tende a reduzir produção”, avalia Sergio Vale, da MB Associados. Nos bastidores, o governo americano ainda sinaliza possível revisão para produtos sem equivalente nos EUA, como o café, o que mantém alguma esperança para produtores brasileiros.
Mesmo com o impacto direto das tarifas considerado limitado por analistas, os efeitos indiretos são sentidos no mercado financeiro e no ambiente de negócios. O índice de sentimento da XP recuou de 76 para 37 pontos, aproximando-se do campo pessimista. A volatilidade cresceu e o Ibovespa caiu 4% em julho, enquanto investidores migraram de ações domésticas para commodities. Apesar disso, o Brasil ainda se beneficia da sua posição estratégica como potência em alimentos e energia, o que atrai investimentos estrangeiros e garante um fluxo cambial positivo no médio e longo prazo.