A crise enfrentada pela indústria brasileira fica evidente no setor de máquinas têxteis. Uma empresa com mais de 50 anos de atuação e presença na América Latina viu sua produção despencar nos últimos anos. Se antes entregava cerca de 500 máquinas por ano, em 2024 esse número caiu para 158 e, em 2025, fechou com apenas 126 encomendas.
Cada equipamento custa, em média, R$ 400 mil, o que torna o financiamento decisivo para a venda. Segundo Fernando Torelli, sem juros baixos o negócio simplesmente não fecha. Com crédito caro, o cliente desiste do investimento, a indústria nacional perde espaço e a importação de tecidos prontos acaba sendo favorecida.
Com a taxa Selic em 15%, o custo final do crédito para a indústria chegou perto de 20% no último ano. Especialistas ouvidos pelo Jornal da Band apontam que esse nível de juros paralisa investimentos e freia a economia. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que os juros estão entre os três maiores problemas do setor, ao lado da alta carga tributária e da demanda interna fraca.
O impacto aparece também no emprego e nos resultados das empresas. Márcio Guerra avalia que o crédito caro impede a expansão da produção e a abertura de novas vagas. Até companhias com crescimento de receita sentiram o baque: uma grande locadora de máquinas pesadas teve queda de 4,8% no lucro no último trimestre de 2025, mesmo com aumento de 15% no faturamento. Segundo Renata Vaz, o motivo foi o peso dos juros sobre novas dívidas contraídas para sustentar o crescimento.

