A indústria automotiva da China vive um grande paradoxo: vende muito, fatura bilhões, mas lucra pouco. Dados recentes mostram que, entre janeiro e novembro, a margem média de lucro ficou em 4,4%, uma das mais baixas da história do setor. Em outras palavras, mesmo com fábricas cheias e mercado aquecido, o ganho por carro vendido é pequeno e deixa as empresas sob pressão.
O problema vem de dois lados. De um lado, os custos subiram forte, com matérias-primas mais caras, salários maiores e investimentos pesados em tecnologia e novas lojas. Do outro, a guerra de preços tomou conta do mercado, primeiro entre elétricos e híbridos e depois atingindo também os modelos a combustão. O resultado é simples: muita disputa, desconto para todo lado e margens minguadas.
Isso já aparece nos balanços. Há montadora aumentando receita, mas vendo o lucro cair. Em vários casos, modelos são vendidos praticamente sem ganho e muitos, com prejuízo. Para piorar, parte das concessionárias também opera no vermelho. Mesmo assim, o setor pisa no acelerador do volume: produção passa dos 30 milhões de veículos no ano e quase metade já é de elétricos e híbridos.
Com o lucro apertado em casa, as marcas chinesas miram o mundo. A estratégia é clara: exportar mais, entrar forte em mercados emergentes e usar preço agressivo para ganhar espaço. Para países como Brasil e Europa, o recado é direto: vem aí mais carros chineses, competição braba e pressão para baixo nos preços, não só nos elétricos, mas em toda a indústria.

