A produção industrial da China registrou em julho o crescimento mais fraco em oito meses, enquanto as vendas no varejo também perderam fôlego, intensificando a pressão sobre Pequim para adotar novas medidas de estímulo. Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas, a produção avançou 5,7% em relação ao mesmo mês de 2024, abaixo da alta de 6,8% registrada em junho e da expectativa de 5,9%. Já o consumo, medido pelas vendas no varejo, subiu apenas 3,7%, ritmo mais baixo desde dezembro do ano passado.
Os números refletem um cenário de desafios internos e externos. A indústria chinesa enfrenta impactos das políticas comerciais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além de condições climáticas extremas, concorrência acirrada dentro do próprio mercado e fragilidade persistente no setor imobiliário. Apesar de uma trégua comercial com Washington, prorrogada recentemente por 90 dias, os lucros das fábricas seguem pressionados pela demanda interna fraca e pela deflação dos preços ao produtor.
Analistas destacam que o impulso inicial das medidas de apoio do governo já perdeu força, uma vez que boa parte dos estímulos foi concentrada nos primeiros meses de 2025. Embora esse suporte tenha evitado uma desaceleração mais intensa e permitido às fábricas antecipar remessas durante a trégua comercial, especialistas alertam que a fraqueza do consumo doméstico e os riscos globais devem comprometer o crescimento nos próximos trimestres.
Outro sinal de alerta vem dos investimentos em ativos fixos, que cresceram apenas 1,6% entre janeiro e julho, abaixo dos 2,7% esperados e dos 2,8% registrados no primeiro semestre. Para analistas, muitas empresas estão operando com a capacidade existente em vez de investir em novas plantas. Em resposta, Pequim tem intensificado esforços para estimular o consumo e conter a concorrência predatória, buscando manter a economia próxima à meta de expansão de 5% em 2025.